ELE CONTINUA VELHO, CHATO, FEIO, MAU E SEM-VERGONHA, OU SEJA, UM TÍPICO CONSERVADOR.

Coluna do Comendador Baltazar II

Esta é a continuação do blog que fez, faz e sempre fará parte da relação daquelas pessoas que gostam ou odeiam das coisas que são escritas nele. Particularmente falando, penso que a maioria das pessoas odeiam. É por isso que ele volta no mesmo formato odioso.
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Comendador Baltazar (original)
Valleta Culltural
O Escrevinhador


Dia desses, passeando pelas ruas da cidade resolvi, depois de muito tempo caminhando igual à uma barata tonta, me sentar num dos bancos da Praça Santos Andrade para ver os pombos dar suas rasantes e, se tivesse sorte, ver alguém, que não eu, receber a carga na cabeça de uma dessas aves porcas e estúpidas. Porém, depois de um tempo gelando os pés com o vento encanado um sujeito chegou perto de mim e pediu uns trocados. Logicamente que nem dei bola para ele. Eu queria mesmo era ver um desses transeuntes sair com a roupa cagada por esses bichos. De repente:
-- Ô, seu doutô! Qué qui eu dê uma engraxada nos sapato? Perguntou assim o camarada para mim. E eu, que estou sempre disposto a ajudar ao próximo com ofertas de trabalho ou uma palavra amiga disse:
-- Se quiser pode engraxar... Mas tem que dar brilho também. No entanto, meu caro ignóbil ser, não tenho trocados, e não estou disposto a trocar meu dinheiro graúdo só para pagar essa mixaria de valor que irá me cobrar quando este servicinho de terceira ficar pronto. Disse-lhe assim, muito gentilmente.

Ele, parecendo-me um estouvado de primeira, me olhou com aqueles olhos fundos que se assemelhavam com duas ameixas secas e, sem entender o remoque, pôs-se a executar a tarefa da qual ele é condicionado a fazer. Lá pelas tantas, quando nós já estávamos nos interagindo, à nossa maneira, onde ele se esforçava para puxar assunto e eu nem aí para suas tolices, o tal engraxate, sempre curioso, aliás, curiosidade esta que deve fazer parte da genética destes profissionais. Ã... Continuando; então ele perguntou:
-- Ô, doutô; que sujeirada é esta aqui nos sapato? Lama ou comida? Perguntou desta maneira o cidadão com a pulga atrás da orelha.
-- Meu caro jovem engraxate enfarador e bisbilhoteiro, esta sujeira nada mais é que uma maravilhosa golfada. Expliquei-lhe com toda a paciência do mundo, e ainda, escolhi com cuidado todas as palavras para que o ignaro pudesse, dentro de sua capacidade, compreender facilmente o que eu quis dizer. Porém...
-- É... Tão, tá. Só que este negócio tá difícil de saí, e acho que teus sapato não tem mais recurso, tão estragado. Olha; o senhor tá dizendo que isto é uma tal de goulfada, não entendo muita das coisa, mas acho que é vomitado mesmo. De qualquer jeito, tudo bem, eu limpo. Disse-me assim este exemplar de pessoa que tem todos os quesitos para compor a humanidade no futuro.
-- Então está bem, faça o que tem de fazer e não me aborreça com esses comentários vis. Ouvindo isto ele sorriu e se apressou para concluir seu afazer o quanto antes, pois alguns outros senhores o aguardavam para que os sapatos fossem limpados das sujeiras dos pombos.

E depois que terminou este servicinho chinfrim acabei por me comover, dei-lhe os parabéns por ter deixado limpos os meus sapatos sem sujar as meias, e ainda, dei umas balas para adoçar-se, e completando a lista de presentes, ou premiações, cedi-lhe uma moeda de cinqüenta centavos, pois nem só de doces vive um homem.

Oiram Bourges - 20:32 para cima
Sexta-feira, Maio 19, 2006


Acabrunhado vi o Adalberto num desses dias passados. Estava ele sentado sobre seu magnífico rádio de ondas longas, ondas médias, ondas curtas e almost waves enquanto vertia de seus olhos chochos umas lágrimas baças. Em companhia a esta figura tão lúgubre estava o Azambuja e suas esquisitices que lhe são peculiares, que vez por outra arrastava umas pequenas pedras de um lado para outro, ou ainda, e o que me atacou os nervos assim que vi, mexendo com as madeixas do velho moribundo de um lado para outro. Como se fossem areias de uma praia donde o mar estivesse de ressaca.

Contudo não me atrevi interferindo nesta brejeirice. Poderia perder a magia, às avessas, de tal situação, coisa que os espectadores acompanhavam escarrapachados nos bancos da praça. Se bem que, toda esta situação foi de uma bizarrice só. Meus dois amigos meio que se estranhando por causas que desconheço, e um bando de velhos sentados com as pernas abertas nos bancos da praça, para secar suas micoses talvez, a observar outros velhos discutindo coisas que ninguém sabia o motivo.

Quanto a mim, como disse há pouco, não me intrometi. Enfiei minhas mãos nas algibeiras das calças e sibilei canções desconcertantes, destas que ninguém entende. E se ninguém entende, ninguém gosta. Então aos trôpegos continuei flanando pelas calçadas esburacadas até que, em um certo momento, eu desisti de ver pessoas feias passando por minha pessoa. Tal coisa estava realmente cansando minha beleza. E com um gesto cheio de classe acenei para o ônibus... Sendo que este só não passou por cima de mim por que eu estava na calçada. Mas tudo bem, esta ação não foi o bastante para me tornar colérico.

Contudo, depois de tantas outras vezes acontecendo as mesmas coisas, perdi as estribeiras, e na primeira oportunidade lasquei uma sapatada no pára-brisa do lotação. Sendo que depois disso o motorista parou seu meio de ganha-pão para proferir palavras de baixo calão. Mas eu não me indignei a trocar baixezas com este ignóbil ser que se auto proclamava profissional do trânsito, ou qualquer coisa parecida. Simplesmente rumei para o fundo do ônibus em busca de um lugar para me assentar sem que eu desse a mínima para o sujeito. Porém, enquanto procurava lugar para mim percebi algo de diferente. Olhei para o teto da condução e me deparei com o Pereirinha grudado lá em cima, todo faceiro. Então, pensei: este não passa por aperto. Conversamos um pouco, depois nos despedimos.

E lá fui eu para casa, me sentar na minha horrorosa poltrona, depois ingerir alimentos com poucos nutrientes, ou seja porcarias, e beber coisas que não costumam fazer bem à saúde, ou seja, álcool. Quanto aos outros dois que deixei na praça quase em pé de guerra... Oras, se bem os conheço, há qualquer momento eles poderiam se entender novamente. Além do quê, não costumo me envolver em assuntos dos quais não fui convidado para discuti-los. Ainda mais quando tais assuntos terminam sempre com o mesmo final, ou seja, com nada a acrescentar para nenhum dos interlocutores.

Oiram Bourges - 19:51 para cima
Segunda-feira, Maio 15, 2006


Esta semana que passou foi diferente. Aconteceram algumas coisas para temperar meus dias insossos. Veja: além de ficar mais frio, coisa que gosto bastante, fui convidado para duas festas de aniversário, uma de adulto, e outra de uma criancinha. A do adulto foi boa, mas foi normal. A da criança foi bem diferente... Divertida, apesar de complicada. Digo complicada por que foi mesmo, e creio que nem precisarei explicar o ocorrido, pois os fatos falam por si só.

A festa da criança dói feita na casa do Azambuja. E lá foi feita porque meu amigo é o avô da aniversariante. Bom; como eu tinha chegado cedo a casa dele procurei um bom lugar para ficar escorado. Talvez imaginando uma possível embriaguez. E também para Evitar que algum engraçadinho pensasse o mesmo que eu e escolhesse meu lugar antes de mim... ?! É, parece que é isso mesmo.

Continuando; definido o lugar, era só esperar a animação começar. Claro que a distribuição das bebidas fazia parte do quadro de animações. Então as surpresas foram acontecendo. E a primeira delas foi a montagem de uma cama elástica na garagem da casa, além das tochas circundando o equipamento, sendo que este estava lá por alguma razão, a de incrementar as emoções dos saltos no caso de alguém se arriscar a desempenhar tal atividade que pouco me diz respeito, por exemplo. Pelo menos foi assim que pensei sobre aquilo tudo.

As horas foram passando e alguém, que não eu, atendeu ao telefone que não parava de tocar naquele momento. Era, segundo a desesperada da mulher toda manchada de verde pelo creme de abacate o sujeito que viria até a casa para encher as bexigas, os pneus das bicicletas e, consecutivamente, encher nossos sacos com o já manjado para de que a situação está ruim por causa do governo, ou por causa da guerra no Iraque, ou por causa do Papa, ou por causa de qualquer outra causa.

Veja: como o Azambuja já está com o saco rendido, e o jardineiro que lá estava fazendo porra nenhuma não tem mais saco, por ter perdido em uma manobra radical com o aparador de grama, a tarefa de encher as bexigas sobrou para mim. Eu até concordei, desde que não precisasse encher os pneus das bicicletas. E claro, teria que ter só para mim uma garrafa de whisky. No começo o velho general torceu o beiço, mas depois concordou com a condição, digo, com as condições impostas.

Então, de posse da garrafa, comecei a encher aquelas porcarias. O fôlego ia bem, apesar das tosses intermináveis. O problema consistia no tato do ar que eu soprava, ele simplesmente estava sendo dividido. Deixe-me explicar melhor; enquanto soprava aquela coisa (bexiga) meus olhos se inchavam. E quando parava de soprar meus olhos murchavam, além das bochechas, claro. Mas tudo bem, ao final deu tudo certo.

Quando os demais convidados começaram a chegar consegui ouvir alguns comentários sobre minha aparência. No início não dei muita atenção, mas depois fiquei curioso para saber o que tinha acontecido comigo. Dirigi-me ao sanitário para verificar as irregularidades, caso houvesse algumas. Pasmo fiquei ao olhar-me no espelho. Meus olhos... Bom, meus olhos pareciam dois ovos moles que teimavam em fugir da órbita ocular, e as bochechas estavam escorregando de minha face. Logicamente que tinha mais coisa; minhas calças apresentavam uma freada nos fundilhos, mas tudo bem. Nada que um pouco de mais bebida para estes erros sumirem.

Lá pelas tantas, quando todos estavam festando, gritando, urrando, gemendo e bebendo sem parar, incluindo ai as criancinhas que lá estavam, resolveram, como medida emergencial de felicidade, saltar, todos, para dentro da tal cama elástica. Logicamente que o equipamento esmoreceu perante tamanha fanfarronice descabida. Todos; eu disse todos descambaram para um lado logo após o primeiro salto. E numa decolada fantástica o pessoal, visivelmente tomado pela ação do álcool, rolou na grama por aproximadamente trinta minutos sem parar. E também só pararam porque um dos indivíduos encontrou o saco perdido do jardineiro. Bom, daí o resto foi história para boi dormir, quero dizer, para bêbado dormir. Os únicos quase sóbrios no local eram as criancinhas, que não paravam de chutar as bundas dos pseudomortos que lá estavam.

Oiram Bourges - 18:15 para cima
Terça-feira, Maio 09, 2006


O frio começou por aqui. Muito bem, até aí sem problemas, e também não tem muito haver com o que tenho para contar, mas... Quando chega a época de frio me dá vontade de comer algo diferente. Coisa que não tenho certeza que chegue acontecer de fato; comer coisas diferentes, pois a Olga não anda com muita vontade de fazer nada para o pessoal comer, e as crianças ou não sabem fazer nada ou não querem simplesmente. De qualquer maneira é até bom que eles não façam nada, por que costumam bagunçar demais na cozinha com perda excessiva de mantimentos e coisas do gênero... O que tem eu? Nada oras. Quando estou decidido fazer algo para o povo daqui de casa comer eu faço coisa de primeira. Há quem diga o contrário, sei disso, mas é tudo intriga de gente que não tem nada para fazer.

Então, percebendo que ninguém quis inventar nada de diferente para comermos, digo, para eu comer. Porque com os outros não me incomodo. Agora vocês devem estar pensando que sou um sujeito malvado ou qualquer coisa assim. Mas não sou. Disse isso porque sei de uma coisa que ninguém sabe: assim que o bolo, ou a torta, doce ou salgada, ou o pudim, ou o sanduíche, ou o prato que for feito, em pouquíssimo tempo será exterminado, com ou sem autorização, pelos integrantes de minha família terrivelmente esfomeada. E tal situação se agrava quando o neto, ou sua irmã, ou ainda a sobrinha resolvem trazer seus amigos, ou amigas para tomar café em casa. Em fração de segundos, aquilo que há de mais gostoso sobre a mesa vira lembranças de um passado farelento sobre... A própria mesa.

Agora, deixe-me continuar antes que desista de contar histórias. Bom, a programação da TV estava um purgante, só para variar, e eu queria comer coisas boas. Até aí também nada demais, porque isso sempre acontece em minha vida. Tudo bem; então passemos adiante. Decidido que comeria coisas boas parti para a cozinha a fim de preparar minha especialidade... Que não sei qual é. Tive de procurar por toda a casa onde é que estava o caderno de receitas da Olga. E se por um acaso não o encontrasse teria de anotar qualquer receita dessas que dão através dos programas de televisão. Só para cumprir meu comprometimento comigo mesmo.

Sorte que encontrei uma receita qualquer numa gaveta qualquer de um armário qualquer da cozinha. Coisa que, aliás, é um dos poucos móveis da casa que não tem marca do gato ou do cachorro. Mas quem é quer precisa saber disto também, oras. Veja; farinha de trigo, açúcar, frutas, chocolate, sal, óleo de soja, ovos, fermento, condimentos... Bom, estava escrito lá. Contudo, alguma coisa estava faltando para eu poder fazer o quitute; música. Sem música não consigo fazer com que as coisas fiquem bem. Há quem diga que até com música eu faço as coisas parecerem estranhas e estragadas. Mas continuo afirmando que isso é coisa de gente que não tem o que fazer. Então ficam inventando estórias sobre minha pessoa. Posso até dizer que isso é inveja.

O rádio do Adalberto, mas que agora fica comigo por mais tempo que o comum, estava tocando numa rádio inglesa um especial do grupo chamado Kaizers Orchestra. Muito divertido, muito estranho, muito bacana. Porém, eu já tinha me esquecido de algumas coisas cozinhando, que não sabia o que era, na panela de pressão enquanto fazia meus comentários, para mim mesmo, sobre este conjunto. Veja; a lista de irregularidades seria longa caso a Olga não interferisse logo, pois desde o começo desta minha empresa estava tudo errado, só não sabia o que era. E pelo jeito jamais saberia que coisas eram essas que compunham a receita que me prontifiquei usar. De qualquer forma tive de me acalmar quanto à vontade de comer coisas diferentes. Admito que não estava inspirado para fazer a comida, e sim para comê-la simplesmente. Bom, o resto das músicas do tal conjunto não pude mais ouvir, pois eram constantemente interrompidas pela Olga com seus tradicionais ataques de cólera. Ah, essas mulheres.


Por sorte... da cozinha, que a Olga chegou em tempo de salvá-la de minhas garras. Após estragar algumas outras panelas com meus inventos, incluindo aí umas duas ou três panelas de pressão, esta era um outro tipo de panela que estava na minha lista de inutilizações.
Oiram Bourges - 23:09 para cima

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